A Frente Fria Que a Chuva Traz

A Frente Fria Que a Chuva Traz

Alisson, Fabi, Lili, Cristy, Bia e Espeto alugam do personagem Gru uma laje de uma casa numa favela do Rio. Lá, o grupo abastado promove festas com altas doses de álcool, drogas e sexo. Diferente da maioria dos filmes que abordam a favela, este não tem como foco a população pobre, a violência sofrida por moradores e o tráfico de drogas entre bandidos. Aqui, as “novas aventuras” do grupo de ricos são isoladas pelo segurança Vítor, cuja função é impedir a entrada de moradores e pessoas que não foram convidadas.

A crítica mordaz de Neville está em mostrar à classe média o espelho que poucas vezes é utilizado, já que são poucas as auto-representações críticas da classe. Marginais no grupo, Amsterdan, mulher que chega a se vender para sustentar o vício, Gru, o menosprezado dono da laje, e Vítor, o segurança que protege os ricos, são os personagens-chave que fazem a mediação entre o mundo seguro e o mundo externo.

Uma frente fria anunciada impede que o grupo dê continuidade à sucessão de festas que vinham ocorrendo na laje. Na última noite de festa, portanto, convidam o pagodeiro Raposão, de origem pobre e hoje novo rico, para fazer um show particular. A partir daí, alguns conflitos se instalam e as diferenças, até então amenizadas pelos gostos comuns e apaziguadas pela mediocridade, ressaltam, provocando discussões e finais trágicos.

Quase 30 anos depois de “Rio Babilônia”, este tema bastante recorrente nos documentários, mas pouco explorado na ficção, é colocado novamente sob a lente do cineasta marginal e criador de grandes sucessos do cinema brasileiro, para analisar as mudanças ocorridas nestas últimas décadas.

 

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